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Ainda dá tempo de cuidar da nossa casa 🌎 Edição dia da Terra

Tem dias em que tudo parece instável demais. E o pior é quando não são só dias, mas meses (ou até anos).

Você abre o noticiário e vê guerras se intensificando, eventos climáticos extremos se repetindo, dados alarmantes sobre violência e uma sensação constante de que o mundo está… fora do eixo. Vocês também achavam, quando eram crianças, que em 2025, teríamos carros voadores, mas se espantam em saber que ainda tem gente falando mal de vacina ou querendo dizer que papel na sociedade certos grupos devem representar?

E no meio disso tudo, surge uma pergunta desconfortável: como falar de sustentabilidade quando tanta gente ainda está lutando pelo básico?


Eu me sinto meio tonta cada vez que penso em assuntos para trazer para vocês para falar sobre sustentabilidade ou como reduzir o nosso impacto quando a realidade do mundo ainda é essa. Quando ainda tem tanta desigualdade, tanta gente em situação precária. E eu sei que essa é uma dúvida legitima. E eu usei esse dia da Terra para acolher esse pensamento e falar sobre isso com vocês.

O que tudo isso tem em comum?

À primeira vista, esses problemas parecem desconectados. Mas existe uma realidade que atravessa todos eles:
a forma como nos colocamos no mundo.

Por séculos, construímos uma lógica baseada em controle, exploração e hierarquia. O ser humano, mais especificamente um modelo dominante de humanidade, se posiciona como superior à natureza, aos outros seres vivos… e até a outros humanos.

Essa separação não é só filosófica. Ela é real e tem consequências reais.

Na filosofia, existe um conceito chamado Antropocentrismo, a ideia de que o ser humano é o centro e o mais importante elemento do planeta. Estudos em áreas como Ecologia e Psicologia Ambiental mostram que quanto mais nos percebemos separados da natureza, maior tende a ser o comportamento de exploração e menor o senso de responsabilidade coletiva.

E talvez isso ajude a explicar por que, mesmo diante de evidências tão claras, ainda tratamos o planeta como um recurso e não como um sistema vivo do qual fazemos parte.

E o que isso tem a ver com a gente?

Tem tudo a ver.

Porque ao mesmo tempo em que avançamos tanto no cuidado individual, skincare, saúde mental, alimentação, bem-estar (e que bom que conseguimos avançar nisso), ainda existe uma desconexão quando o assunto é o cuidado coletivo, quando o foco é a “casa” que compartilhamos com todos.

A gente cuida da nossa pele, mas esquece do ar que toca ela.
Cuida do corpo, mas não do solo que produz o que comemos.
Investe em bem-estar, mas ignora o ambiente que sustenta tudo isso.

Só que aqui vai uma verdade simples e baseada em ciência:

Não existe saúde (individual ou coletiva) em um planeta doente.

A Organização Mundial da Saúde já aponta há anos que fatores ambientais, como qualidade do ar, acesso à água limpa e estabilidade climática, são determinantes diretos da nossa saúde física e mental. Já temos até patologias relacionadas a isso, como a ecoansiedade. Ou seja: cuidar da Terra não é um luxo. É uma extensão do autocuidado.

Emicida colocou na sua música uma verdade sobre isso na sua música Principia: “Enquanto a Terra não for livre, eu também não sou.”

Sobre medo, culpa… e esperança

Eu já caí na armadilha da culpa e da falta de esperanças diversas vezes. Se preocupar ativamente com o futuro do planeta, com a sáude da Terra costuma nos levar a dois extremos:

ou a gente ignora tudo para conseguir seguir a vida,
ou se afoga em culpa e sensação de impotência.

Mas eu percebi que nada disso é sustentável e consegue chegar ao nosso objetivo real, que é a mudança e a construção de um futuro possível.

O que sustenta o nosso ânimo, a nossa energia e a nossa esperança é a consciência gentil.

A percepção de que, realmente, mudança é necessária, reconhecimento do nosso impacto individual e das nossas capacidades de atingir essa mudança. Com a consciência de que não precisamos ser perfeitos. E que bom que não precisamos, porque isso seria impossível.

A Terra precisa de muita gente, fazendo um trabalho constante, possível. Dentro da realidade individual de cada um.

A ideia da sustentabilidade é igual à seguir uma dieta. Não adianta você se restringir de tudo o que gosta. Se isolar do mundo para não “errar”. Sentir culpa cada vez que faz algo que acha que não deveria fazer. Afinal, isso só faz o trajeto mais difícil e as chances de “recair” ou desistir muito maior.

Então precisamos trabalhar em grupo, reconhecendo as limitações individuais de cada um, inclusive nossa. Não como uma desculpa, mas como compaixão, como gentileza.

O Dia da Terra não é só uma data

O Dia da Terra surgiu em 1970, após um grande desastre ambiental envolvendo derramamento de petróleo nos Estados Unidos. Foi um marco que ajudou a transformar preocupação em ação coletiva. Décadas depois, a urgência só aumentou.

Mas também aumentou algo importante: o acesso à informação e à possibilidade de escolha.

Pequenas ações, impacto real

A gente precisa, primeiro, tirar da cabeça essa ideia de salvar o planeta. Ele não precisa ser salvo, afinal, eu tenho certeza que ele continuará aqui depois da gente. Que vida sobreviverá com ele é que é a questão.

Mas isso não quer dizer que somos impotentes. A gente tem mais poder do que pensa. E podemo (e devemos) começar com pequenos passos. Para seguirmos caminhando por muito tempo.

Aqui vão algumas formas reais (e muitas vezes gratuitas) de se conectar com esse movimento:

Você pode encontrar mais ideias no site da Earth Day Network.

As nossas casas (sim, no plural)

Afinal, a gente pode até morar na mesma casa desde que nasceu ou se mudar a vida inteira. Mas duas casas são nossas para vivermos enquanto vivemos: o nosso corpo e o nosso planeta.

E a questão está em não pensar em qual precisa de mais cuidado que o outro ou escolher em qual focar, mas entender que um depende do outro.

Pra gente lembrar (e seguir) juntas

Sim, o mundo pode parecer pesado às vezes.
Sim, tem muita coisa errada.

Mas também tem muita gente tentando fazer diferente.

E talvez esperança não seja sobre acreditar que tudo vai dar certo, mas sobre escolher, todos os dias, fazer parte de algo melhor.

Você não está sozinha nisso.

A gente está aqui, construindo esse caminho juntas.
Com informação, com cuidado e com intenção.

E aí, vamos com a gente? 💚

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